Na
década de 80, a novela televisiva ROQUE SANTEIRO, de Dias Gomes e
Aguinaldo Silva, tinha como tema, uma história bastante moderna para os padrões
da época, e que ainda continua mesmo para a época atual, tanto que nada tão
ousado repetiu-se na teledramaturgia brasileira desde então. A novela contava a
história de Roque, um personagem que ao ser tido como morto passa a ser
cultuado por suas façanhas como santo, porém, anos depois, descobre-se que o
herói não morreu, e, mais que isso, que o culto religioso que se formou em
torno de sua figura não condiz nem um pouco com o verdadeiro personagem, tanto
que todos aqueles que de alguma forma passaram a lucrar com seu mito temem que
tudo seja desmentido, e percam com isso seus privilégios, levando muitos a
tentarem matá-lo.
É
simplesmente impossível para alguém sensato, ao ver a trama contida em ROQUE
SANTEIRO, não associar o tema com a religião cristã, com seus pastores enriquecidos
e a igreja com seu imenso poder adquirido por meio do culto a Cristo, e não
fazer as importantes perguntas: E se a verdadeira história de Cristo não nos
tivesse sido contada ainda? E se visse a ser descoberta, o que fariam eles para
não perderem o poder?
Foi
seguramente isto que fez a novela ser retirada do ar em sua primeira versão em
plena ditadura militar, na década de 70. E conhecendo bem a história cristã com
todo o seu poder de manipulação sobre as obras históricas e literárias do
passado, não podemos deixar de pensar que tal possibilidade possa ter
acontecido com a maior religião do mundo. É possível que estejamos cultuando um
Cristo que nada, ou pouca coisa, tenha haver com o verdadeiro Cristo.
Se
pensarmos bem também veremos que, assim como em ROQUE SANTEIRO, não apenas os
que lucraram materialmente com o culto a Cristo perderiam suas riquezas se a
história que nos foi contada deste não fosse verdadeira, mas também aqueles que
construíram toda suas vidas sobre tal crença.
Quando
o filme baseado no livro CÓDIGO DA VINCE, de Dan Brown, foi
lançado muitos comentaram que jamais iriam assistir o filme, já que contrariava
sua visão do Cristianismo; lembrando que o livro argumentava que Cristo teria
sido um simples líder religioso, que casara com Maria Madalena e que teria tido
filho com ela.
Não
é difícil entender tal comportamento. Muitos ao constatar a fragilidade de suas
crenças se lançariam ao desespero; seu mundo viraria de ponta-cabeça; porém a maioria, com toda certeza, simplesmente a negaria mesmo que a mais absoluta prova
lhes fosse mostrada, ou abraçariam a uma nova crença.
Quando
ouço alguém justificando a falta de provas sobre a existência de discos
voadores, argumentando que as autoridades não permitiriam sua comprovação por
acreditarem que toda a ordem ética e moral mundial mudariam para um caos
inominável, caso esta possibilidade fosse permitida, gosto mais de imaginar esta
possibilidade relacionada à figura de Cristo:
Teria
sido Jesus um homem comum? Teria mesmo casado com Maria Madalena? Teria ele
tido filho como qualquer mortal? E mais do que isso: teríamos razão para
acreditar na possibilidade de um Jesus diferente daquele descrito nos escritos
bíblicos?
Penso
que sim, basta apenas lembrarmos que as religiões não apenas são sistemas de
crenças como também de poder políticos, e é simplesmente impossível negar que
elas nunca tenham sido usadas como instrumentos de poder. Parece-me, portanto,
sensato pensar que Jesus tenha ganhado de seus biógrafos uma nova biografia. E
pense comigo: se a intenção era tornar Jesus Cristo universal (católico, em
grego), a melhor forma seria que este possuísse características de outros
deuses, a fim de torná-lo familiar a outros povos, e facilitar conversões. Sendo
assim, não apenas temos a afirmação que ele havia nascido de uma virgem, o que era
muito comum a deuses daqueles tempos, como a Dionísio, Krishna, Mitra e etc.;
como também outras:
“O
deus ÁTIS morreu pela salvação da humanidade, crucificado em uma árvore, desceu
ao submundo e ressuscitou no terceiro dia. MITRA teve doze discípulos;
pronunciou um Sermão da Montanha, foi chamado de Bom Pastor, se sacrificou pela
paz do mundo e ressuscitou aos três dias. BUDA ensinou no templo aos 12 anos,
curou enfermos, caminhou sobre a água e alimentou quinhentos homens com uma
cesta de biscoitos; seus seguidores faziam votos de pobreza e renunciavam ao
mundo; foi chamado de Senhor, Mestre, a Luz do Mundo, Deus dos Deuses,
Altíssimo… KRISHNA foi filho de um carpinteiro, seu nascimento foi anunciado
por uma estrela no oriente e esperado por pastores que lhe presentearam com
especiarias…”
![]() |
| Deuses Crucificados de Outras Religiões |
Contudo,
muitos, ainda hoje, argumentam ser a Bíblia a maior prova da existência de
Cristo. Estes argumentam que Cristo cumpriu mais de trezentas profecias sobre
sua vida; muitas delas com centenas de anos anteriores a sua vinda a Terra. O
que não se argumenta, no entanto, é que, uma boa explicação para isso seria
que, a “história” de Cristo seria apenas uma criação também a partir de textos
bíblicos e de profecias, como falsas concretizações destas. Como, por exemplo,
o detalhe da traição de Cristo por Judas, pelo valor de trinta moedas de prata,
recebidas das mãos do sumo sacerdote; e seu posterior arrependimento,
devolvendo-as aos pés do mesmo. Isto pode ser visto em um escrito bíblico
anterior a Cristo, o Livro de Zacarias, em que Zacarias fala do rompimento da
fraternidade entre Judas e Israel: “Então o Senhor me disse: atire isso ao
oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta
moedas de prata, e as atirei ao oleiro na casa do Senhor.” (Zacarias, 11:13,14).
![]() |
| O Deus Egípcio Horus sendo Amamentado Por sua Mãe ao Lado de Jesus e Maria |
Algumas
dessas adaptações da suposta vida de Cristo às passagens de escritos bíblicos
mais antigos são tão forçadas que chegam a contradizer as próprias crenças de
Jesus Cristo; como a ocasião em que Cristo crucificado tem suas vestes
disputadas por soldados romanos por meio de apostas com jogos de dados. Esta
passagem foi copiada de uma passagem do Salmo 22 (versículo 18), em que se lê:
“Repartem entre si as minhas vestes, sobre a minha túnica deitam sortes.” A
contradição está no fato que, se há disputa de suas vestes é porque tinham
valor econômico. O que não condiz com a pobreza voluntária de Cristo.
Outra
adaptação forçada é sobre a ascendência de Jesus, que segundo uma profecia do
Livro bíblico de Isaías, o Messias nasceria da descendência do rei Davi. Então,
faz-se pai de Jesus, José, que é um descendente longínquo do rei Davi. Até aí,
tudo bem. Porém, Cristo tem que nascer de uma mulher virgem, também, para que
seja isento de pecado. Conclusão: a confusão tá formada. A solução é fazer de
Cristo um filho adotivo de José. Mas a profecia requeria que houvesse uma
descendência carnal... Etc.
Em
suma, para mim parece ser clara que a história bíblica de Jesus é tão
verdadeira quanto a imagem atribuída hoje a ele: uma imagem de um homem branco,
de cabelos loiros e olhos azuis; que não combina em nada com o tipo humano de
origem judaica; refletindo muito mais as características físicas dos pintores
europeus que a criaram.






Nenhum comentário:
Postar um comentário