É
impossível saber como seria o mundo hoje se não tivesse havido o cristianismo,
a mais popular religião do mundo; se seria um mundo melhor ou pior do que vemos
hoje, principalmente para nós que fomos educados e vivemos sob seus valores.
Contudo
todo bom cristão dirá, sem titubear, que a passagem de um mundo pagão com
valores desumanos, como os que originaram as lutas até a morte de prisioneiros romanos
no Coliseu de Roma, promovidas como divertimento público pelo império romano,
para os valores cristãos de amor ao próximo foi uma grande evolução na história
humana. Mas será que isso mesmo é verdade já que podemos contrapor a isso as
centenas de milhares de mortes geradas pela Inquisição e pelas cruzadas cristãs,
promovidos pelas autoridades cristãs? Além disso, temos que ter em mente de que
o amor ao próximo não surgiu com o cristianismo, basta lembrar que três séculos
antes de Cristo o amor ao próximo já era propagado por pensadores gregos, como
Sócrates, Epicuro etc., e por escolas filosóficas, como o neoplatonismo,
estoicismo etc., e também por religiões que muito antes do cristianismo não
apenas propagavam o amor ao próximo como também a toda forma de vida animal,
como o hinduísmo, budismo, taoísmo etc., de modo que não seria descabido
pensarmos que uma dessas filosofias ou religiões poderia muito bem ter
substituído o cristianismo, na tarefa de propagar o amor ao próximo em sua
ausência.
Comparar
culturas cristãs com culturas não cristãs e seus efeitos sobre seus devotos é
um bom modo de imaginar como seria viver sob os valores e regras de religiões
não cristãs, e disso tirar uma boa ideia se seria melhor ou pior viver sob o
julgo de outra religião. Porém, independente disso, podemos captar alguns
malefícios gerados pela doutrina cristã à humanidade ao longo de sua existência:
1.
A Religião Cristã Induz o Ser Humano a Odiar a si Próprio, ao que é Mais Humano em Nós
Pecado,
segundo a religião cristã, é a prática de algo que não agrada deus, ou seja,
algo que não está nos conformes do que é ditado pelas regras divinas;
desagradando a deus por ser algo ruim, e que, por isso, tem como consequência o
castigo divino sobre o pecador.
O
que é trágico nessa forma de pensar é que grande parte do que é considerado
pecado pela religião cristã se aplica ao que é mais natural no ser humano, o
que faz parte de nós, como o sexo, e características fundamentais do ser
humano, como o desejo de conhecimento, a curiosidade, os questionamentos etc. Porém
aprendemos desde cedo que não se deve questionar as coisas sagradas: deus odeia
ser questionado. Por exemplo, é dito na Bíblia que o primeiro ser humano a
pecar foi uma mulher, Eva, que não apenas desobedeceu a deus como levou também
o primeiro homem, seu companheiro, Adão, a comer o fruto da árvore do
conhecimento, e que por isso, Eva e Adão, como castigo, foram expulsos do
paraíso, onde não sentiam dor nem necessidade.
Como
resultado desta forma de pensar cria-se um forte sentimento de repulsa e de
estranheza às manifestações mais naturais do ser humano, levando o homem a
odiar partes fundamentais de si próprio, a odiar o ser humano verdadeiro e
buscar um ideal de perfeição humana que não existe, desprezando seu eu
verdadeiro, com todas suas manifestações demasiadamente humanas, em nome desta
coisa imposta a nós desde que somos crianças: O PECADO.
2.
O Cristianismo Inculca o Sentimento de Culpa no Ser Humano
![]() |
| ELE SOFREU E MORREU POR VOCÊ |
Não
foi apenas de uma pessoa que li o testemunho sobre o desagradável sentimento de
culpa advindo da descrição dos sofrimentos de CRISTO acompanhado com a terrível
mensagem de que “ele sofreu e morreu por você”, mas de várias pessoas. E essas
terríveis descrições junto com a mensagem de que ele morreu por nossos pecados
são inculcadas em crianças desde a mais tenra idade; em pessoinhas que ainda
não estão preparadas para lidar com o sentimento de culpa, que ainda não estão
com suas personalidades formadas, que não podem ainda questionar o que lhe é ensinado,
mas sim apenas absorver a mensagem por imposição de adultos. É natural que a
criança se pergunte o que ela fez para que por meio de seus atos tenha levado
alguém tão bondoso a ser pregado na cruz, a sofrer e morrer daquela forma tão
horrível; e é de esperar que ao perguntar acabe ouvindo como explicação de
algum adulto uma explicação tão estúpida que só irá agravar ainda mais seu
sentimento de culpa. E este sentimento ela irá levar, certamente, para o resto
da vida, formando o caráter de adultos com problemas emocionais, ou de caráter
frágil e submisso.
3.
A Religião Cristã Inferioriza as Mulheres
Quando
lemos em uma manchete de jornal que “um homem ao saber que sua esposa desejava-se
separar-se dele a mata por sentir-se dono dela”, culpamos imediatamente seu
caráter, claro, porém não deveríamos também culpar o tipo de educação que o
estimulou a esse terrível ato? Não deveríamos culpar ensinamentos como "Mulher aprenda em silêncio com toda a
submissão. Pois não permito que a mulher ensine nem tenha domínio sobre o homem,
mas que esteja em silêncio". Epístola a Timóteo (2, 11-15). Pois estas
são palavras de Paulo de Tarso, um dos mais importantes fundadores da religião
cristã. E quanto desse machismo que leva maridos a assassinar esposas não está
impregnado pelo machismo cristão, que concebe Eva, a primeira mulher, como a
responsável pela introdução do pecado no mundo?
No
culto católico a Maria é sempre posto em relevo o fato dela ter sido SANTA, MÃE
e VIRGEM, isto é, há uma dissociação entre a maternidade e o sexo, o que é
problemático já que Maria é tida também como modelo de mulher e de mãe
católica, passando uma mensagem implícita para as mulheres de que elas devem
ser vistas apenas pelo seu papel biológico de ser mãe em detrimento de outras
necessidades biológicas, como independência social e de exercer sua
sexualidade. Portanto, o culto de Maria tem sim um tom misógino, machista,
tolhendo as mulheres de darem maior importância a outras de suas necessidades e
qualidades, como o exercício de sua sexualidade.






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