A
TEORIA DO UNIVERSO MATRIX
(Um
Texto Para Quem Quer Ir Além do Fugaz Mundo Das Aparências)
“Suponhamos
que o mundo em que vivemos não exista, ou pelo menos não existe como você
imaginou até agora; suponhamos mais: que a humanidade e as histórias de suas
civilizações; a cidade em que vivemos; as pessoas que conhecemos; a nossa vida
no dia a dia, e até mesmo nós mesmos não existimos, que tudo isso não passa de
uma simulação. Nossa consciência foi ativada artificialmente por seres mais
poderosos do que somos capazes de imaginar. E eles nos acompanham com o
interesse (e o tédio eventual) de quem joga um videogame ou de quem roda no
computador uma simulação para avaliar processos e resultados”. (Braulio
Tavares).
Essa
ideia é familiar àqueles que viram o filme Matrix, em que o personagem
principal, Neo, é advertido por um grupo de rebelados sobre uma realidade que
ele julgava ser real, mas que era apenas um programa de computador em que sua
mente estava conectado, criando as falsas aparências do dia a dia.
O
que poucos sabem é que esta ideia não surgiu com o filme, mas vem se
construindo e amadurecendo ao longo da história humana por grandes mentes. O
sábio grego Platão, que viveu quatro séculos antes de Cristo, foi um dos
primeiros a conceber algo similar a esta ideia. Para ele o mundo em que vivemos
é apenas a cópia imperfeita do mundo verdadeiro. Ele esboçou esta ideia no Mito
da Caverna, em que nos comparou com prisioneiros presos em uma caverna e
obrigados desde o nascimento a ver apenas as sombras das coisas, julgando ser
as sombras tudo que existe, e ignorando que o mundo das sombras é apenas o
pálido reflexo de algo muito mais vivo e verdadeiro.
Já os gnósticos cristãos, aproximadamente 100 anos depois de Cristo, influenciados por Platão, acreditavam que o mundo da matéria fora criado por um deus maléfico, que prendeu nossas almas neste mundo corruptível e imperfeito da matéria, e que todos nós devemos adquirir conhecimentos verdadeiros para, ao desprendermos deste mundo durante a morte, alcançarmos o verdadeiro mundo, de onde viemos, nosso verdadeiro lar.
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| George Berkeley |
Porém
nem só de filosofia tem se alimentado a teoria da Matrix, fundamentais
contribuições têm vindo da Ficção Científica. Um dos primeiros a levar para a
literatura ideias desenvolvidas pelos pensadores citados acima foi o escritor
Frederik Pohl, que em um de seus contos “The tunnel under the world”, de 1954,
o personagem principal, assim como Neo do filme Matrix, “começa a perceber
estranhas descontinuidades e repetições no seu dia-a-dia (os famosos “erros da
Matrix”), até descobrir que o seu mundo é uma simulação, com pessoas dotadas de
pseudo-consciência e pseudo-livre-arbítrio, feitas para testar campanhas
publicitárias. Outro escritor fundamental foi Daniel F. Galouye, que no livro
Simulacron-3 (adaptado para o cinema como O 13º. Andar, de Josef Risnak, 1999)
explorou de mil maneiras este tema do indivíduo que descobre que seu mundo não
é real, é uma simulação feita em computador, e que ele próprio não existe, é
apenas o resultado de um conjunto de instruções”.
E
como se não bastasse apenas bases filosóficas a Teoria da Matrix invadiu também
o mundo das ciências, com muitas descobertas que parecem confirmar tal teoria.
Uma
das primeiras experiências que intrigaram nossos antepassados foi perceber que
todos os seres vivos são formados de tal maneira, como se fossem resultados de
cálculos matemáticos, como caracóis que descrevem curvas helicoidais, ou as
folhas das árvores que obedecem a uma proporção matemática, que faz com que uma
não se sobreponha a outra, e etc. Não apenas os seres vivos mas tudo no universo,
ou melhor, o próprio universo parece ser feito por processos matemáticos, como
um gigantesco programa de computador, na linguagem moderna.
Com
a descoberta do DNA se descobriu, finalmente, como os seres vivos são gerados.
Os genes de que são feito o DNA orientam as células de que somos feitos,
fazendo-as obedecerem a certos comandos durante nossa criação. É como se nossos
genes fossem um programa de computador, que orienta as células durante o
processo de criação.
O
físico Rich Terrile, um dos entusiasta da teoria do universo Matrix, afirma,
como na história do escritor de Ficção Científica “Philip K. Dick que a
realidade não está toda pronta ao mesmo tempo, mas em forma potencial, e só se
concretiza quando alguém a observa (como a Física Quântica tem demonstrado em
relação ao mundo sub-atômico)”. Terrile compara o mundo a um jogo de vídeo game
em que cada trecho do game só aparece quando o jogador vai para lá. O curioso
que esta ideia já estava presente nas teorias do filósofo irlandês Berkeley, que
afirmava que a matéria só existe ao ser observada por alguém. Seria isto uma
forma da Matrix economizar energia?
Ilusória
ou não, cientistas já começam a vislumbrar possibilidades de pôr em prova se a
teoria é verdadeira ou não.






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