Trago aqui algumas questões levantadas
após a leitura do livro As Vidas de Chico
Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior (resenhado por mim neste blog), que
julgo serem oportunas para se conhecer melhor e trazer uma visão mais humana
sobre esta figura controvertida, amada por muitos e eleita, recentemente, como
o “Maior Brasileiro de Todos os Tempos”.
São nove questões, apenas para impor um
limite:
CONTRADIÇÕES
DE CHICO
“Sua condição não exonera você da
necessidade de lutar e sofrer, em seu próprio benefício, como acontece às
outras criaturas.”
Por meio deste e de vários ensinamentos
de seu guia - nos informa ainda sua biografia -, “em pouco tempo, Chico
definiria a ‘enfermidade’ como a melhor ‘enfermeira’, agradeceria a Deus por
suas dores e abençoaria o sofrimento como forma de evolução, uma maneira de
resgatar dívidas de encarnações anteriores e de compensar escorregões da
temporada atual”.
A pergunta então que surge é: Se para
Chico o sofrimento era tão importante como “uma maneira de resgatar dívidas de
encarnações anteriores”, uma regra que, dentro de sua crença, vale para “outras
criaturas” também, por que então ele se aplicava com tanto afinco em diminuir o
sofrimento dos mais necessitados, se é justamente por meio do sofrimento que os
espíritos evoluem? Não seria um erro tal ato? Não estaria ele sendo infiel a
suas próprias crenças, impedindo que outros pudessem evoluir também?
Há uma boa explicação para tal
contradição, ela se origina da mistura entre reencarnação e cristianismo que em
parte é a religião espírita.
A reencarnação é guiada por uma ideia fundamental
que assim como esta é também estranha à religião cristã: a lei do karma. Esta
suposta lei é muitas vezes ilustrada por seus partidários pela afirmação de que
toda ação tem uma reação, ou em outras palavras, todo ato feito em uma
encarnação terá consequências na encarnação seguinte. Desse modo, um ato ruim
feito em uma encarnação anterior terá um efeito ruim na seguinte, como forma de
aprendizado. Assim esta ideia serve para explicar, por exemplo, por que muitos
têm pouco dinheiro enquanto outros possuem bastante; por que alguns sofrem
enquanto outros são felizes; por que alguns morrem jovens enquanto outros
morrem com idade avançada, etc. Na Índia, país sem influencia cristã, esta
ideia é levada ao pé da letra, o que gerou as castas, classes sociais em que a
sociedade indiana é dividida. Quem nasce, por exemplo, em uma casta inferior,
pobre, miserável, nasceu nela por merecer, está pagando karma, está sendo
castigado por falhas de vidas anteriores, por isso o indivíduo não deve ser ajudado.
Ao misturar esta crença com a crença cristã da caridade, que afirma a
necessidade de ajuda mútua entre os cristãos, a compaixão entre os indivíduos,
surge a contradição de Chico Xavier. Uma contradição que é proveniente não
apenas dele mas principalmente da doutrina que professava.
2. No final da década de 60, Chico
adquiriu um tumor na próstata. A cirurgia tornava-se inevitável. “Zé Arigó, o
médium que incorporava o Dr. Fritz e realizava cirurgia sem anestesia, se
ofereceu para operar o colega. Chico recusou a oferta e preferiu se internar
numa clínica de São Paulo”.
Muitos estranharam sua atitude: “Por
que não aceitou a oferta do Dr. Fritz, tão requisitado na época? Ele duvidava
do poder dos espíritos?” E ao ser perguntado sobre o fato, repetia a mesma
resposta que tinha dado a Arigó:
“Como eu ficaria diante de tanto
sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi como o boi para o
matadouro? E eu vou querer facilidades? Eu tenho que me operar como os outros,
sofrendo como eles”.
Chico não foi muito convincente, não é
mesmo? Porém, “anos mais tarde”, como nos conta Souto Maior, “num desabafo,
Chico deixaria de lado a diplomacia e diria:
- Sou contra essa história de meter o
canivete no corpo dos outros sem ser médico. O médico estudou bastante
anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que
eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem
ser considerado um criminoso?”.
Esta resposta de Chico me lembrou da
atitude de outro famoso médium brasileiro, Edson Queiroz, que nos anos 80
operava sem anestesia, supostamente, incorporado pelo espírito do médico alemão
Dr. Fritz. Edson também era outro incoerente que em vez de operar seus filhos,
quando estes precisavam, mandava-os se tratarem na medicina convencional.
Bem, em todo caso, a resposta de Chico
não parece ser atitude de plena confiança em sua doutrina.
CHICO E A ÉTICA ESPÍRITA
3.
O comportamento de amor, paz, carinho e de assistência aos necessitados sempre
foram qualidades apontadas como pertencentes ao caráter bondoso de Chico
Xavier. Porém estas qualidades poderiam ter outro significado.
No livro Nosso Lar, Chico Xavier descreve a vida em uma cidade espiritual,
onde a tarefa fundamental de seus habitantes é a evolução espiritual
fundamentada no auxílio a outros espíritos. Assim quanto mais dedicado for um
espírito a outro mais rápido evoluirá ao cansando níveis cada vez mais alto na
hierarquia espiritual. E para conseguir seu intento mais rápido, o espírito
pode acumular os chamados “bônus-trabalho”, que é o tempo extra de assistência
aos outros, que poderá ser trocado por provisão extra de pão e roupa, visitas a
parentes ou amigos mortos, acesso a locais de lazer, ou a uma nova encarnação
melhor que a anterior. Esta ética vigora também para os habitantes da Terra:
quem ajuda alguém ajuda a si próprio também. Em suma, o que poderia estar por
trás desta “ética do amor”, verdadeiramente, poderia ser o mais puro egoísmo,
pois não há tanta diferença entre esta troca de favores espirituais, tendo como
objetivo segundas intenções e a troca de auxilio tendo em vista dinheiro ou
algo material. Por conseguinte, dentro desta forma de moral, o comportamento
altruísta não seria evidência suficiente para julgar verdadeiramente o caráter
de alguém como bondoso.
CHICO
E O DINHEIRO
4. Volta e meia é tido como prova da
honestidade de Chico Xavier o fato que este nunca ganhou nenhum dinheiro com
seus livros, doando a renda da venda de seus livros a centros espíritas
dedicados a caridade e a divulgação da doutrina espírita.
Que Chico Xavier nada tenha ganhado de
dinheiro diretamente, disso não tenho a menor dúvida, mas mesmo que seu
trabalho não tenha sido retribuído com dinheiro, Chico, no final das contas,
teve a retribuição de ter sua obra e nome grandemente divulgados; e convenhamos,
a afirmação de que tais livros sejam fruto de poetas mortos chama bem mais
atenção, tanto antes quanto hoje, que a tese de que foram escritos por alguém
vivo; como prova disso, podemos dar o exemplo de que os livros psicografados
por Chico Xavier atribuídos ao espírito do jornalista e poeta Humberto de
Campos, venderam mais que qualquer livro deste escritor em vida. Além disso, há
coisas que o dinheiro não pode comprar, como o amor e o carinho sincero dos
outros. É bem possível que Chico tenha preferido o amor e o carinho sincero ao
dinheiro, independente da honestidade ou não de suas ações. Portanto, este
argumento não prova o que pretende provar.
SOBRE
A OBRA DE CHICO XAVIER
A verdade é que, como demonstra muito
bem o leitor Gilberto, no site Obras
Psicografadas, dedicado ao tema, destes 412 livros somente dez ou vinte
livros possuem conteúdo extenso, o restante seria apenas títulos com pequeno
conteúdo. Exemplo: “’Nosso Lar’, um dos livros mais extensos em número de
palavras de Xavier, tem menos de 55.200 palavras. Mas ‘Vida no Além’, exemplo
dos títulos prolíficos e corriqueiros de Xavier, tem menos de 6.000. Esses
livros fininhos e com pouquíssimas palavras se tratam do corpo maior da obra de
Chico Xavier” 1. “A esmagadora maioria dos 400 livros, juntos, pode
ser menor que UM ÚNICO EXEMPLAR de um livro extenso de um escritor prolixo
qualquer de romances, como Stephen King”2, em que apenas um livro
deste, It, possui 460000 palavras. Portanto, o argumento acima é enganador.
Além disso, há vários escritores, não-religiosos, sem os ditos poderes
paranormais, que possuem um conjunto de obras com quantidade muito superior a
de Chico. Exemplo:
Tellado Corin, escritora espanhola.
Escreveu 4000 livros.
Charles Hamilton, este inglês escreveu
1200 livros.
Ryoki Inoue, brasileiro, escreveu 1099
livros.
E assim por diante...
6. O primeiro livro de Chico Xavier se
chama Parnaso de Além Túmulo, de
1932. Trata-se de uma coletânea de poemas ditados por ilustres escritores
mortos, tanto brasileiros quanto portugueses, obedecendo ao estilo dos poetas
quando vivos, que, segundo muitos, demonstraria serem proveniente de seus
alegados autores. Afirmação corroborada com a ideia, muitas vezes repetida,
inclusive no prefácio do Parnaso, de
que Chico era “filho de pais pobres,
não pôde ir além do curso primário dessa pedagogia incipiente e rotineira [...]
e (que) não vai, também em tese, muito além das quatro operações e da leitura
corrida”. Levando muitos a argumentar: “Como seria possível que um
ignorante e iletrado seja capaz de escrever tudo isso e em diferentes estilos?”
Conduzindo muitos a encontrar a resposta nos fenômenos ditos mediúnicos.
A tese de que Chico era um
semi-analfabeto, um ignorante completo, que mal tinha tempo para dormir,
dedicando-se demasiadamente ao ganha-pão diário, é infundada. Na verdade, Chico
sempre teve um grande pendor para a literatura, como podemos ver através de um
dos vários cadernos seus, datado de 1924 (Chico tinha então 14 anos), que
contem matérias anteriores dessa data, desde 1904, que Chico mantinha em sua
casa, recheado com recortes de jornais, revistas, que estampavam matérias sobre
inúmeros poetas, contendo, inclusive, a reprodução de assinaturas de alguns
poetas como Olavo Bilac e Camillo Castello Branco, é o que podemos ver através
de um desses cadernos recuperado, em 1997, pela pesquisadora Magali Oliveira
Fernandes. “Magali informa que entre jornalistas, poetas
e escritores (nacionais e estrangeiros), Chico reuniu nesse caderno
cerca de 200 nomes! Entre as mulheres, podemos citar – dentre muitas
outras – a romancista francesa Madame de Staël; a poetisa portuguesa Virgínia
Victorino; as brasileiras Cecília Meireles, Gilka Machado, Auta de Souza,
Rosalina Coelho Lisboa, Anna Amélia Carneiro de Mendonça, Carmen Cinira e Maria
Eugênia Celso. Entre os homens, sobressaíam Olavo Bilac e Raul de Leoni, mas encontrava-se também
Shakespeare, Jung, páginas textos de um poeta persa do século XII chamado
Mioutchehz, Edgar Allan Poe, trechos de Cervantes, Balzac, versos de Victor
Hugo, Catullo Cearense, João de Deus, Álvares de Azevedo, Eça de Queirós,
Afonso de Carvalho, Paulo Gama, Vasmir Filho, Gastão Ribas, Higyno Braga, Luiz
Delfino, Menotti Del Picchia e vários outros”3.
Soma-se a isso o fato que Chico Xavier
era um leitor voraz, capaz de ler um livro em questões de horas. Costume que
manteve ao longo da vida, é o que afirma um amigo de Chico no livro As Vidas de Chico Xavier: “Devora os
livros com fúria. Trouxe-lhe, há dias O
Homem, Esse Ser Desconhecido, e ele não gastou mais de quatro horas e meia
para ler o volume gordo” 4. Portanto, Chico Xavier possuía
conhecimento sobre literatura bem maior do que supostamente era referido à
época. Podendo muito bem ter sido usado, de modo consciente ou inconsciente,
para a confecção de seu primeiro livro, posteriormente.
![]() |
| Acima Imagem do Caderno de Chico |
7.
Psicografia é o nome que espíritas dão ao suposto ato de passarem para o papel
mensagens familiares de entes queridos falecidos ou trabalhos literários ditados
por um espírito desencarnado. Chico é tido como o maior nome ligado a tal
atividade, tendo, supostamente, posto no papel poemas e crônicas de ilustres
poetas mortos, tanto brasileiros quanto portugueses. As questões que surgem
são: Por que Chico psicografava apenas este tipo de escrito? Por que, se o
objetivo era demonstrar que há vida após a morte, então não psicografou
trabalhos científicos de grandes cientistas mortos, ou de filósofos como
Platão, Aristóteles, Hegel, Spinoza, ou outro filósofo conhecido? Por que não,
se o mecanismo psicográfico para os textos de um poeta ou de um filósofo seria
o mesmo? No entanto, por que apenas uma forma literária que em tese é mais
fácil de ser falsificada, basta para tanto ver os patiches? Será que por serem menos profundos e complexos? Ou será
pelo fato que outros assuntos estariam fora dos conhecimentos de Chico, que era
alguém que desde cedo teve grande pendor para a literatura, conhecendo os
poetas psicografados a fundo?
CHICO
XAVIER E AS FRAUDES ESPÍRITAS
8. Em seu livro, Marcel nos conta que
em fevereiro de 1948, Chico Xavier receberia em Pedro Leopoldo o médium
Francisco Peixoto Lins, conhecido como Peixotinho, um médium que tinha o poder
de materializar espíritos, através de seu ectoplasma, substância supostamente
oriunda do próprio corpo do médium.
Os espíritos tomavam forma luminosa e,
um por um, desfilavam enfrente dos presentes atônitos com tal visão. “Um dos
perplexos na plateia era o delegado de polícia R.A. Ranieri. Naquela noite, ele
foi surpreendido pela visita de uma réplica iluminada de sua filha, Heleninha,
morta três anos antes, com dois anos de idade. A garota ‘saiu’ do corpo de
Peixotinho e ‘ressuscitou’, quase em néon, com a mesma fisionomia e estatura
dos tempos de viva e com a voz semelhante à original. Cumprimentou o pai e
colocou nas mãos dele uma flor brilhante”.
Ranieri escreveria mais tarde um livro
sobre suas experiências com a materialização de espíritos, chamado de Materializações Luminosas, de 1962,
contendo fotos de tais fenômenos.
Abaixo, algumas fotos destas.
Pena que toda a maravilhosa descrição
que Ranieri descreveu acima não foi capitada pelas lentes da máquina de
fotografia. Tudo que vemos nestas são apenas pessoas ao lado do que aparenta
ser lençóis ou um emaranhado de gazes. Porém, com os exemplos abaixo, saberemos
melhor do que se trata.
Nestas fotos, pertencentes também ao
livro Materializações Luminosas,
vemos a figura do presidente americano John Kennedy, morto em 22 de novembro de
1963, que apareceu, acompanhado da irmã Rose, numa dessas seções de
materialização promovidas por Chico.
Agora, vejam esta capa de revista da
época:
Algo se assemelha com a foto anterior?
Sim, o que era dito como o fantasma de
Kennedy não passa de truque de fotografia, em que a foto da capa de revista foi
usada para criar o que seria seu fantasma. Veja:
Em 1964, tivemos outra surpresa.
O livro As Vidas De Chico Xavier conta-nos que “em fevereiro de 1964, às
vésperas do golpe militar, Chico não resistiu e, seduzido pelas materializações
promovidas pela médium Otília Diogo, de Campinas, se animou a exibir os poderes
dela a um repórter e a um fotógrafo da revista O Cruzeiro. Tomou a decisão após participar de uma sessão privativa
comandada pela moça”.
Amarrada em uma cadeira, Otília, por
meio de seu ectoplasma, dava vida a fantasmas. Um deles era frequente, o
fantasma de uma freira chamada de “irmão Josefa”. Porém, no dia de sua exibição
perante jornalistas, nada deu certo, “a figura que apareceu, ‘saída’ de seu
corpo, era a sua cara. Os repórteres exibiram fotos de Chico de braços dados
com a visitante do além, a ‘irmã Josefa’, e destacaram a semelhança entre
‘espírito’ e médium. Chico calou-se sobre o assunto”.
Anos depois veio a explicação. “Otília
Diogo tinha sido presa com uma maleta recheada de roupas utilizadas em
‘materializações’. O hábito de irmã Josefa também estava lá. A transformista
confessou até mesmo ter pago uma cirurgia plástica facial com exibições
‘espírita’ na casa do cirurgião”.
![]() |
| Irmã Josefa |
![]() |
| Otília Diogo: Compare seu Rosto com a Figura Acima |
CHICO
XAVIER E A CRIPTOMNÉSIA
9. Criptomnésia é “um distúrbio de
memória que faz com que as pessoas se esqueçam de que conhecem uma determinada
informação”. Assim Chico Xavier poderia construir seus livros baseado apenas em
lembranças inconscientes de suas leituras.
Um exemplo, entre vários outros
dedicados a Chico, tirado do blog Obras Psicografadas (obraspsicografadas.org),
em que a obra “Vida de Jesus”, do escritor francês Ernest Renan, de 1863, é
comparada com a obra “Boa Nova” de Chico Xavier, de 1941. Reparem na semelhança
entre ambas as obras.
Cores são utilizadas para ajudar a
destacar trechos idênticos ou semelhantes.
Vida
de Jesus (Ernest Renan)
|
Boa
Nova (Chico Xavier)
|
Mesmo
hoje em dia, é uma excelente estada, talvez o único lugar da
Palestina onde a alma se sinta um pouco aliviada
(pág.
104)
|
Nazaré,
com a sua paisagem, das mais belas de toda a Galiléia, é talvez o mais formoso recanto da
Palestina.
(pág.
07)
|
Nazaré
era uma cidade pequena, situada numa dobra de
terreno largamente aberto, no alto do grupo de montanhas que limita ao norte a planície de Esdrelão.
(pág.
104)
|
Suas
ruas humildes e pedregosas, suas casas pequeninas, suas lojas singulares se
agrupam numa ampla concavidade em cima das montanhas, ao norte do Esdrelon.
(pág.
07)
|
O horizonte da cidade é estreito,
mas por pouco que se suba e que
se atinja o planalto, fustigado poruma brisa perpétua, que se estende das casas mais altas, a perspectiva
é esplêndida.
(pág.
105)
|
Seus horizontes são mesquinhos e sem interesse; contudo, os que subam um pouco além, até onde se
localizam as casinholas mais elevadas,
encontrarão para o olhar assombrado as mais formosas perspectivas.
(pág.
07)
|
Ao
oeste, se desdobram as belas linhas do Carmelo, terminadas por uma ponta
abrupta que parece mergulhar no mar. Depois se desenrolam o cume duplo que domina Magedo, as montanhas de Siquém, com seus lugares
santos no tempo patriarcal; os montes
Gelboé, o pequeno conjunto pitoresco ao qual se ligam as
lembranças graciosas e terríveis de Sulém e Endor; o Tabor, com sua forma arredondada, que a
Antiguidade comparava a um seio. Por uma depressão entre a montanha de Sulém
e o Tabor se entrevê o vale do Jordão e as planícies de Pereia, que formam uma
linha contínua do lado leste. Ao norte, as
montanhas de Safed, inclinando-se para o mar, escondem São João de
Acre, mas revelam o golfo de Caifa.
Tal foi o horizonte de Jesus
(pág.
105)
|
Ante
seus olhos surgiam as montanhas de Sarnaria, o
cume de Magedo, as eminências
de Gelboé, a figura esbelta do Tabor,
onde, mais tarde, ficaria inesquecível o instante da Transfiguração, o vale do rio
sagrado do Cristianismo, os cumes de
Safed, o golfo de Khalfa, o elevado cenário do Pereu, num soberbo
conjunto de montes e vales, ao lado das águas cristalinas
(pág.
07)
|
FONTES:
2. idem
4. AS Vária Vidas de Chico Xavier/
Marcel Souto Maior/Página 98







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